segunda-feira, 27 de junho de 2011

A procura de Médicos em Fortaleza

População sofre com a falta de médicos nos hospitais de média complexidade. Muitos acabam voltando para casa sem atendimento. Ao total, são 878 médicos na rede secundária. O número é considerado insuficiente

Na porta de entrada da emergência do Gonzaguinha da Barra do Ceará, a comerciante Lucivalda Oliveira, 39, ouviu da funcionária que apenas os casos de extrema gravidade seriam atendidos. No Frotinha da Parangaba, o vendedor José Martins, 56, foi informado no início da tarde que os atendimentos de trauma só ocorreriam no turno da noite. No Gonzaguinha de Messejana, era a emergência de clínica geral e pediátrica que estava suspensa.

Em todos os casos, o número insuficiente de médicos justificava a falta de atendimento aos pacientes. Muitos pacientes acabam voltando para casa doentes porque não encontraram médicos nas unidades de saúde. O POVO percorreu os seis frotinhas e gonzaguinhas, além do Hospital Nossa Senhora da Conceição, e confirmou a carência de médicos na rede secundária municipal. A maior queixa é pela ausência de pediatras, clínicos gerais e anestesistas.

Faltas
Dos 878 médicos da rede secundária, 722 são concursados e 156 prestadores de serviço. Na teoria, cada hospital conta com pelo menos dois clínicos e dois pediatras por plantão de 12 horas. Porém, na prática não é bem isso que ocorre.
Muitos pacientes reclamam que os médicos não cumprem a escala de trabalho. Sobre essas denúncias de que os médicos faltariam o plantão, o Simec afirma que o profissional concursado tem dever legal de cumprir a escala de trabalho proposta, podendo responder a um processo ético no Conselho. “Não é o médico que falta o trabalho, é o número de profissionais que é insuficiente”, atesta.
Segundo os diretores de hospitais, o médico pode estar no hospital, mas não disponível para o atendimento de emergência. “Como são poucos médicos, se algum paciente internado requer atenção especial, acaba ocupando o profissional por todo o período do plantão. Nenhum caso de emergência deixa de ser atendido”, afirma o diretor clínico do Gonzaguinha de Messejana, Sílvio Carlos Rocha.

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